The Same Day



Where God is great and guns are good


4 notes "Como é perversa a juventude do meu coração,
Que só entende o que é cruel e o que é paixão.
"
Esta semana o mar sou eu, Copacabana

0 notes

5 notes
Um debate político e dois palhaços da tv

 Foi uma percepção curiosa a que tive hoje quando percebi nitidamente os degradês coloridos que correm o rosto de alguém quando assustado. Assim que Aécio abriu a boca pela primeira vez estava calmo, segurava as mãos convictas enquanto dava soquinhos na bancada do programa e o cabelo alcoolizado em gel amparava um semblante bronzeado. Milhões de olhos em sincronia aguardavam um possível relâmpago de honestidade e um pouco menos da dose dos tediosos genéricos subjetivos. Mas estamos chegando lá, explicarei a cena: os apresentadores optaram, e aqui terei que dar o braço a torcer, por não tirarem o pé do acelerador. As perguntas foram milimetricamente esclarecidas para não deixar brechas pelo ambiente. A primeira pergunta durou quase um-minuto-e-meio em uma entrevista de quinze minutos cravados. Foi quando lançaram à mesa aquela negra palavra venenosa que nos seduz ocasionalmente: corrupção. Concomitantemente, o rosto pulou para amarelo, as mãos não pareciam mais seguras, as palavras pulavam da boca, o sorriso já não era amigável.  

 A apresentadora o interpelou no momento em que Aécio encontrava-se navegando à procura de uma âncora suspensa, a dourada saída pela tangente. Ela disse: Mas o Senhor acaba de dizer que a oposição é suja pelo passado enquanto a sujeira do Senhor está encima do palanque. Isso não mostra alguma coisa?

 Não foram essas as palavras exatas, mas podia ouvir, aqui de Goiânia, as cutucadas maliciosas, o estômago de Aécio roncando. Sua face tornou-se branca. Citou o Vale do Jequitinhonha, pão de queijos, Aleijadinho. Era evidente que recuava. Afinal, queria dizer, suponho: Mas vocês querem acabar comigo ou querem saber o que posso fazer daqui pra frente?

 Digo para a televisão em voz alta: Não posso votar nesse homem. Eles o engoliriam vivo! Estou com pena dele, André, é um coxinha. 

 André que está em pé se retorcendo de vergonha pelo pobre do Aécio sentencia que Dilma deve estar cortando os gastos da campanha neste exato momento. Acabou a candidatura deste homem, ele diz. É o tipo de situação em que imagino um camarim sendo socado pelas paredes. Em particular.

 Mas os três ainda estão dentro do ringue e o próximo golpe viria por baixo. A construção de uma pista convenientemente implantada na fazenda ao lado da sua e que por coincidência pertence a seu tio-avô. André se regojiza nesse momento. “Imagina se tocam na questão do nariz?” Digo que seria desproporcional, mas lembro-me dos americanos e também dos europeus que são apedrejados por infidelidades matrimoniais. Como somos hipócritas. Falar e não falar é ao mesmo tempo a mesma vã hipocrisia.

- Mas o senhor já pousou nessa pista para uso particular…

 O homem ficou verde. Aí está minha descoberta. O último estágio do medo é o verde e não o branco. A náusea vem depois do susto. E então a surpresa de Aécio ter tomado o lugar de Robin Williams em meus pensamentos. Dois mentirosos de mão cheia, apenas um é bom ator…

"Ah, a paixão instantânea que despertam os suicidas…". 

 Uma piada comum: um homem vai ao psiquiatra e diz que está deprimido. Não sente mais alegria diante da vida e não vale mais a pena continuar. O doutor o recomenda um espetáculo de circo que se apresentaria na cidade naquela mesma noite. “Você precisa rir mais. O famoso Pipoquinha lhe fará bem”, aconselhou. Foi quando o paciente olhou incrédulo em seus olhos e disse desesperado:

- Mas doutor… Eu sou o palhaço Pipoquinha!

 Verde. Eu imagino ele verde. 


86 notes "

Ontem de manhã quando acordei, olhei a vida e me espantei. Eu tenho mais de vinte anos. E eu tenho mais de mil perguntas sem respostas… Estou ligada num futuro blue.

Os meus pais nas minhas costas. As raízes na marquise. Eu tenho mais de vinte muros

"
Vinte anos blues - Elis 1972

3 notes

222 notes

 Estou tão solitária que já não sinto mais fome. Justo eu que tenho o ego na barriga, o desespero no estômago, a fome dos complexos de culpa. Pelo contrário, hoje que não tenho ninguém a reclamar, nenhum ouvido disponível, sinto-me conformada. Talvez eu seja uma pessoa melhor sozinha.


15 notes

A mí no me queda ya ni la menor esperanza….Todo se mueve al compás de lo que encierra la panza.


25 notes

34 notes

5 notes

Não gosto destas datas. Me vejo forçada a dizer, o que já é, por si só, um sofrimento inútil. Ainda assim, eu esvaziei minhas mãos e lancei uma dezena de frases que me custaram, porque, por puro egoísmo, eu quero ter um lugar na sua memória, nas suas palavras, no centro do seu peito. Era preferível não ter lhe falado, já que a gente se compreende nessa ausência. Minha voz é falha e eu não me dou bem com persuasões. Sou uma Franny perturbada, carregando na bolsa um livrinho verde sobre fé. Orai sem cessar até que as palavras não precisem mais ser ditas. Que fragilidade para um russo! No entanto, sou uma péssima peregrina e acredito que você me entenda. Vamos nos ver e comentar coisas prosaicas, como tem sido. Sobre minha aparência exótica, quase indiana, e sobre como sua palidez combina com seus brincos altivos. Os brincos, aliás, se perdem nos cabelos e não há nada de prosaico nisso. É elegantíssimo. Somente você sabe usá-los. Passa-se mais um outono. Antes de irmos, nos encontramos em Buenos Aires.

Fernanda Garcia


11 notes
Fernanda,

  Que apareçam as palavras enquanto meu corpo se esforça em desaparecer. Que surjam as confissões atrasadas: que sou uma tola cambaleando em explicações supérfluas, inúteis, vergonhosas. Quero tanto ser boa que sou péssima. Uma criança medrosa remoendo o dente-de-leite com a língua.

 Ontem estávamos juntas, amigas inconfessáveis de olhares discípulos, tragédias que nos tornam humanas, artistas obscuras ensaiando uma sexualidade triste e coxa… Tentamos minha amiga, outro e outro dia. Ontem gravamos um vídeo, no tempo em que minha saia queimava, eu dancei enquanto você sorria, um drinque borbulhava em espumas de combustível e eram os estranhos que faziam a nossa festa.

 Somos tão felizes em meio à multidão! Ela existe e a felicidade simplesmente surge porque podemos evitá-los com os ombros esquivos, porque se anuncia uma liberdade ainda não experimentada. O que faremos com essas coisas entre as mãos? Construiremos novas prisões. 

 O que fica é a sensação sublime em desaparecer. O alívio de desintegrar nossas fraquezas da noite anterior. Fingir que não somos nada disso. Somos maiores e melhores até mesmo na nossa tolice. Morro hoje novamente. Amanhã crescerei dez centímetros. No abraço íntimo da cidade que ignoramos; em Berlim ou Buenos Aires, até onde alcancem nossos braços frágeis.


12 notes
um tango argentino me vai bem melhor que um blues

meu Deus, e esse asco que nasce pela mediocridade, e esse nojo que surge do nada por mulheres pequenas, infantilizadas, sem qualquer classe até mesmo para serem honestas, aliás, são verdadeiras em superfícies rasas, falam sobre suas loucuras como adolescentes presas no vácuo imundo. Talvez eu esteja no lugar errado. Talvez eu esteja velha demais para tudo isso.


16 notes

2 notes

45 notes